Bolhas na geomembrana: por que acontecem e como o geocomposto evita
Foto: cortesia Eng. Priscila Zaidan, Evolui.
Se você já viu uma geomembrana formar "bolhas" flutuando na superfície de uma lagoa, não é falha de material — é física do solo. E existe uma solução técnica específica para isso, que muitas propostas de instalação simplesmente não incluem.
De onde vêm as bolhas ("whales")
No jargão de campo, essas deformações são chamadas de "whales" ou "hippos". Elas têm duas origens principais:
- Gás do solo: solos com decomposição de matéria orgânica, ou com determinadas características geoquímicas, geram gás continuamente. Esse gás fica retido sob a geomembrana e cria pressão positiva de baixo para cima.
- Pressão hidrostática (lençol freático alto): quando o nível do lençol freático é alto e essa pressão não é aliviada, a geomembrana sofre uplift — é empurrada para cima pela água que está abaixo dela.
Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: a manta estica localmente, criando tensão, afinamento do material e risco real de furo, perda de aderência e comprometimento da estabilidade de toda a instalação.
Isso não é o mesmo problema que solo pedregoso
É comum confundir os dois riscos. Solo irregular ou com pedras é uma questão de proteção mecânica — a manta pode furar por perfuração direta. Gás ou pressão hidrostática é uma questão de alívio de pressão — a manta sofre por baixo, não por cima. São diagnósticos diferentes, com soluções técnicas diferentes.
O que é, de fato, um geocomposto
Geocomposto não é "geomembrana com um geotêxtil colado". A definição correta é: um núcleo drenante termofixado entre dois geotêxteis não-tecidos — a chamada configuração "tipo 2L". Essa estrutura soma duas funções ao mesmo tempo: alívio hidráulico (o núcleo drena o gás ou a água acumulada) e proteção mecânica (os geotêxteis protegem contra perfuração). É a combinação das duas que resolve o problema — drenagem isolada, sozinha, não é suficiente.
O geocomposto custa mais?
Não do jeito que se costuma pensar. O custo por m² é próximo ao de uma geomembrana de 1,0 mm. E, na prática, o geocomposto raramente é usado na obra inteira: em obras convencionais, ele é aplicado em faixas ou áreas estratégicas — tipicamente 15% a 20% da área total, exatamente onde o diagnóstico técnico identifica risco de gás ou de pressão hidrostática. O restante segue com geomembrana PEAD convencional.
Economizar nessa faixa estratégica, quando o solo pede geocomposto, tende a custar muito mais depois: reparo, paralisação da operação e, em casos mais graves, passivo ambiental.
O solo da sua obra tem esse risco?
Adote a solução correta. Não converse apenas com um vendedor de material. Converse com um engenheiro.
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